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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Mais uma lista de livros


O ano de 2015, para mim, foi um ano de poucas leituras. Afinal, mudei de cidade, de Estado, de vida... Enfim, estou me adaptando ainda. Mas, em meio à parcas leituras me aventurei em alguns romances que acho digno compartilhar com vocês. Aqui vai:

Direitos Iguais, Rituais Iguais - Terry Pratchett: Terry Pratchett se foi este ano e com certeza deixou uma legião de fãs dos Discworld em prantos e saudosos de suas loucas e divertidas fábulas de fantasia. Comecei a série Discworld há algum tempo e esta foi a minha quarta aventura no Mundo do Disco. Adorei este, apesar de ter achado o mais fraco da série até onde li. Acho muito legal a maneira como Pratchett utiliza a fantasia e a aventura para nos fazer chorar de rir. Seus personagens são marcantes e hilários e o livro ainda traz uma pitada de crítica social. Afinal, por quê homens só podem ser magos e as mulheres só bruxas? Direitos iguais para todos né?


Quatro Estações - Stephen King: Não é novidade para ninguém que Stephen King é o meu autor favorito. E em Quatro Estações ele me surpreendeu mais uma vez. Neste romance de quatro contos, King foge de sua zona de conforto e escreve dramas profundos que conseguem nos tocar verdadeiramente. Mas nem por isso o livro não tem um quê de suspense, como no conto Aluno Inteligente (meu favorito do livro) e uma pitada de sobrenatural em O Método Respiratório, que me deu calafrios no final! Os outros contos também são marcantes e originaram dois dos meus filmes favoritos Um Sonho de Liberdade e Conta Comigo.
Filme Conta Comigo (Stand by Me, 1986)
Filme Um Sonho de Liberdade (The Shawshank Redemption,1994) 
Caixa de Pássaros - Josh Malerman: Este romance de estréia de Josh Malerman foi uma das melhores surpresas literárias que tive nos últimos anos. O livro é intenso, perturbador e foge um pouco do lugar comum das histórias pós apocalípticas e de terror. O autor consegue brincar com os seus sentidos e a história se torna angustiante (não em um sentido muito ruim) e faz você se transportar para dentro da trama e sentir os dramas e os medos da personagem principal. Este livro vale muito a pena!


 A Torre Negra vol. VII - Stephen King:  Comecei A Torre Negra em 2012. E entre livros que amei de coração e outros que odiei profundamente, cheguei a este volume final que ficou entre muito bom e "mais ou menos". Achei que a série se perdeu entre o volume IV e este último. Em muitos momentos tive a sensação que King perdeu o fio da meada e a trama ficou muito confusa e teve muitas partes maçantes que eram pura encheção de linguiça. Mas focando neste volume final, acho que King se redimiu um pouco e nos entregou um livro mais coeso e fiel com a proposta do início da série. Só achei o livro um pouco lento e o final de alguns personagens foram bem ruins. Mas a conclusão da série foi de dar uma dor no coração, mas como disse achei coerente e digno para a série.


O Silêncio dos Inocentes - Thomas Harris: Não é um livro que se insere no gênero "Fantástico" mas merece figurar nesta lista por ter sido uma das melhores leituras do ano para mim. Achei o livro genial. A escrita do Harris é deliciosa e sem contar a presença de um personagem que você consegue amar e odiar ao mesmo tempo, o famoso Dr. Hannibal Lecter. O livro não chega a ser um suspense como qualquer outro, afinal, você sabe que é o assassino desde o início. Mas a maneira como os acontecimentos se desdobram em thriller psicológico perturbador e culminam com um final surpreendente é fantástico. Assisti ao filme logo depois e achei Antony Hopkins como Hannibal mais aterrorizante que no livro!

Filme O Silêncio dos Inocentes (The Silence of the Lambs, 1991)

sábado, 10 de maio de 2014

O Parque dos Dinossauros, de Michael Crichton


Testando novos formatos aqui no Fantasia BR, teremos pela primeira vez uma resenha dupla! O livro escolhido não foi ao acaso. Devido a nossa formação em Biologia escolhemos um livro que tem tudo a ver com isso: Parque dos Dinossauros. Desculpa se nos apegamos as bases científicas da obra. Coisas de cientista :)

Alysson: O filme O Parque dos Dinossauros, clássico da Ficção Cientifica brilhantemente dirigido por Steven Spielberg, foi um dos filmes que certamente marcaram minha infância, vi centenas de vezes que cheguei a decorar as falas. Não muito tempo depois descobri que o filme fora inspirado em um livro homônimo escrito por Michael Crichton, por muito tempo fiquei curioso pra lê-lo no entanto era muito difícil de encontrar pra comprar, até que um dia me deparei com ele em uma versão pocket em uma livrara em Brasília. Não pensei duas vezes em adquiri-lo. Porém da compra até a leitura transcorreram-se quase três anos, mas finalmente consegui terminá-lo e essas são as minhas impressões e as do Enio sobre esse clássico moderno da Science Fiction.

Enio: Quem não gosta de dinossauros? Quase todos nós fomos arrebatados na infância por esses seres envoltos em mistério que parecem ter vivido em outro planeta. Quem é da nossa geração com certeza ficou deslumbrado(a) com a versão desses “monstros” que o diretor Steven Spilberg apresentou no cinema. Mas você já leu o livro que inspirou a série de filmes? Pois prepare-se para ter uma incrível experiência literária ao viajar para o futuro e passado simultaneamente com essa incrível obra de Michael Crichton.

Enio: Fiquei completamente encantado com esse livro. Sempre fui fascinado pelos filmes da série Jurassic Park, mas depois de ler a obra original novos horizonte se abriram para mim. 

Alysson: Realmente livro e filme são bem distintos e isso foi uma grata surpresa, um dos motivos de ter adiado tanto a leitura foi o medo de ler algo repetitivo. 

Enio: Fazendo uma comparação entre o livro e o filme, achei que a melhor mudança que a adaptação para o cinema fez foi o “crescimento” a Lex. No livro ela é uma pirralha chata que só serve pra irritar todo mundo, inclusive o leitor.

Alysson: Em relação aos personagens, achei a Lex um porre de chata também e tinha vontade de rasgar fora as partes que o Ian Malcolm falava demais sobre a sua teoria do caos, gostei mais dele no filme que no livro. O cara, mesmo na hora do perigo não fechava a matraca! Allan Grant foi mais bem retratado no livro e o velho dono do parque é um completo idiota ganancioso. No filme lembro de ter simpatizado com ele.

Enio: É verdade que no filme só mostra o lado sonhador e deslumbrado do dono do parque, o que também me deixou até com a impressão que era outro personagem. 

Alysson: Como biólogo, por formação assim como o Enio, fiquei fascinado com o tema abordado no livro, sobre os avanços da biotecnologia e a possibilidade de se recuperar, através da engenharia genética, seres extintos de eras atrás. 

Enio: Sobre o tema biotecnologia, o livro explora bem a visão que muitas pessoas tinham naquela época sobre o avanços desse ciência. Você pode notar isso em muitas obras dessa época. Tinha-se uma perceptiva muito otimista para o futuro próximo e que se revelou hoje, vinte anos depois, falha. 

Alysson: Apesar de isso ser uma belíssima teoria, sabemos que isso, como estudos recentes mostram, nunca será posto em prática. 

Enio: Acontecesse que a técnica apresentada por Crichton precisaria de uma quantidade enorme de DNA (ou ADN, como preferirem) intacto. Entretanto estudos revelam que o DNA não sobrevive nem 7 milhões de anos, e os dinossauros viveram a 65 milhões de anos atrás. Logo, não veremos dinossauros vivos andando pro ai em nenhum parque ou zoológico.

Alysson: Porém a maneira como o autor se utilizou dessa utópica possibilidade de se clonar dinossauros foi bem convincente e aposto como deixou muitos leitores na época do lançamento (1991) com uma pulga atrás da orelha, pois dinossauros são seres admiravelmente belos, mas terrivelmente assustadores também.

Enio: Indo um pouco mais a fundo no processo descrito no livro, mesmo se achássemos uma sequência de DNA incrivelmente preservada de dinossauros, sair remendando as partes que faltam com sequências de qualquer animal como do Dr. Wu fez não ia rolar. Essa foi a coisa que mais me incomodou no livro todo. Provavelmente o que ia resultar disso eram vários ovos inviáveis, e com sorte alguns fetos grotescos.

Alysson: Justamente! Isso foi umas coisas que mais me incomodou no livro também, eles utilizavam qualquer sequência de DNA de qualquer espécie pra colocar nos pedaços que faltavam no dos dinossauros, como se o DNA fosse um quebra cabeça de criança onde se pode sair remendando facilmente aquelas quatro letrinhas (A T G C). Sem contar que eles mexiam às cegas sem saber que pedaços do DNA seriam sequências codificáveis (genes). E se fossem, eles realmente saberiam que proteínas essas sequencias iriam produzir? Que seres iriam ser produzidos? O livro fala que era um jogo de erros e acertos, mas eles acertaram demais pra soar convincente. E tudo em 5 anos! 

Enio: O mais provável é que se usasse só DNA de aves, os parentes vivos mais próximos dos dinossauros, mesmo assim sem garantias. Isso me lembra de outro ponto. O livro insiste em dizer diversas vezes que os dinossauros não são répteis, mas mais parecidos com as aves. Embora as justificativas que o livro apresenta não estejam erradas, considero que esse debate é irrelevante. 

Alysson: A maneira de se classificar os seres vivos não é uma unanimidade na ciência, existem diversos sistemas de classificação propostos, alguns são aceitos outros não. Os dinossauros são descritas nos livros como os parentes mais próximos das aves, mas é uma linhagem extinta de répteis sim.

Enio: Acontece que a Biologia trabalha hoje com uma classificação dos seres vivos que tenta reproduzir a sua evolução. 

Alysson: Indo mais a fundo todos os seres tetrápodes amnióticos são linhagem evoluídas dos répteis, isso inclui nós, mamíferos. 

Enio: Assim o “grupo” dos répteis inclui sim os dinossauros, mas por uma questão de paradigmas exclui dois ramos dessa árvore genealógica, os mamíferos e as aves. 

Alysson: As aves, por possuírem características exclusivas, não são répteis, mas sim descendente de uma linhagem destes, provavelmente a mesma da qual surgiram os dinossauros. 

Enio: Dessa forma pode-se considerar as aves como, na verdade, os dinossauros que sobreviveram e poderiam ser portanto também classificadas répteis. Essa mudança na classificação não ocorreu, mas Biologia está deixando de classificar os seres vivos por “características” compartilhadas, como o sangue frio, para agrupá-los por parentesco evolutivo.

Alysson: Acho também que o livro abordou bem pouco essa questão biomolecular, sobre a complexidade envolvida na expressão dos genes, penso que de propósito, pois é perceptível que Crichton, apesar de não ter sido biólogo, sabia muito sobre o que falava no livro.

Enio: O autor falhou também em explicar sobre comportamento animal. Ele foi categórico ao falar que era impossível se prever o comportamento animal com base na sequencia de DNA, mas isso não está totalmente certo. Talvez não tenhamos conhecimento suficiente na área, mas isso é sim possível até um certo ponto, já que o comportamento também é influenciado fortemente pelo ambiente.

Alysson: Essa coisa de que o comportamento é influenciado pela genética, ele tentou dar uma explicada puxando no final. Aquela ideia de dizer que os dinossauros eram aves primitivas, quando mostrou os raptores tentando “migrar”, aí ele meio que se contradisse né?

Enio: O livro, além de falar muito sobre avanços da ciência na área de Biologia, também fala muito de computadores. Eu também tenho formação na área de informática, mas confesso que não conheço como funcionavam os sistemas informatizados por volta do ano 1991. Entretanto não consegui perceber nenhuma problema nas explanações sobre o sistema do parque e sua programação.

Alysson: Achei sobre os sistemas computadorizados e as demais geringonças “modernas” do parque muito chatas. Imagino que para os leitores da época, como eram descritos tecnologias de ponta, fosse mais interessante. Hoje como a tecnologia faz parte de praticamente tudo, até ler sobre avanços recentes é um tanto chato. Pra mim essa questão serviu apenas como gancho para o desenrolar da trama, já que foi o sistema falho, com uma ajudinha, que desencadeou a liberação das feras do parque. Confesso que pulei alguns parágrafos, por que ler aquelas explicações após um ótimo capítulo de ação era como tomar um banho de água fria.

Enio: Eu gosto de ler sobre tecnologia então não achei nada disso chato (risos).

Alysson: Como já falei, eu achava o Malcolm um chato e tanto! Eu sempre achei a Teoria do Caos interessante, mas o cara falava demais sobre a coisa e meio que cortava o clima do livro, assim como os computadores e suas explicações sobre o funcionamento do parque faziam.

Enio: Eu já havia, em outra ocasião, tentado entender um pouco mais sobre a teoria do caos, mas devo admitir que fiquei boiando em meio a tantas explicações técnicas sobre o tema. Foram as palavras do Malcolm, com uma explicação menos técnica e portanto mais fácil de compreender, que me fizeram ter uma visão um pouco melhor sobre a teoria. Tudo isso ficou mais maçante, eu acho, só próximo ao final do livro. Mas mesmo assim, aquelas viagens teóricas que ele faz me renderam boas reflexões. 

E pra concluir:

Alysson: A Biologia não é uma ciência exata, muito do que eu aprendi no Ensino Médio mudou de figura quando entrei na graduação, e com os avanços da ciência cada vez mais descobrimos coisas novas e os horizontes sobre o entendimento da complexidade da vida não estão mais tão distantes de nós. Por isso questões sobre ética e bioética são cada vez mais debatidas entre os cientistas. Uma das coisas que o livro aborda é a utilização irresponsável do conhecimento biológico para fins obscuros. Mendel, o pai da Genética certamente teve medo de que sua descoberta sobre os genes fosse utilizada para selecionar deliberadamente características “desejáveis” e eliminar as que não serviam, quebrando a maravilha da variabilidade que existe na natureza. Clonar dinossauros pode ser um sonho, mas hoje os cientistas já conseguem manipular a molécula base da vida e a questão sobre o uso irresponsável das técnicas e do saber cientifico é um fato muito bem abordado por Crichton em O Parque dos Dinossauros.

Título original: Jurassic Park (1991)
Autor: Michael Crichton
Ano: 2009
Editora: Rocco e L&PM
Páginas: 488

segunda-feira, 24 de março de 2014

A Dança da Morte, de Stephen King



O futuro apocalíptico imaginado por Stephen King me marcou de uma maneira tão profunda que não sei expressar muito bem tudo que senti lendo esse livro em uma simples resenha, certamente A Dança da Morte foi um dos maiores (se não o maior) e melhores livros que já li na vida. Um prato cheio com tudo aquilo que os ávidos leitores do “Rei” mais gostam em suas tramas inteligentes e bem elaboradas. Terror, ficção cientifica, drama, fantasia e de sobremesa um profundo debate filosófico sobre o futuro da sociedade, moralidade, a natureza humana, Deus, e o verdadeiro significado do bem e do mal.

Uma arma biológica, um vírus secretamente estudado em um laboratório, o chamado “Projeto Azul”, escapa do controle do laboratório contaminando todos no local e por uma série de pesquemos acasos acaba escapando para fora e causa um efeito dominó que devasta nada menos que 99% da população mundial. Inexplicavelmente, o vírus, que é bem semelhante ao HIV, não afetou alguns poucos e através de pontos de vista de alguns desses sobreviventes vamos acompanhando a sua jornada na busca de sobreviverem após o fim do mundo.

Bom, até ai parece mais um livro pós-apocalíptico, não? Então o que faz A Dança da Morte diferente de outros livros que tratam de temas semelhantes? Recentemente tive contato com obras parecidas como A Estrada e Eu Sou A Lenda que apesar de serem distintos, no fundo falam da mesma coisa. O diferencial dessa obra prima de King é o fato de não se restringir a apenas ao “fim do mundo”. Depois disso, primeiramente o livro narra a tentativa de reconstrução da sociedade onde questionamentos e discussões filosóficas são oferecidas ao leitor, profundamente de natureza sociológica, claro, mas também sobre a natureza humana. O que realmente é o bem ou mal e como acontecimentos corriqueiros ou até mesmo banais podem moldar as nossas decisões ou nossa personalidade. E mais pra frente o livro se torna um verdadeiro épico de horror, um grande embate entre o bem e o mal no melhor estilo King que é o ponto diferencial dessa obra. Ficção científica, fantasia, drama e horror se misturam em um épico de proporções gigantescas (literalmente) onde o foco final foi a luta entre o bem e o mal, parecido com O Senhor dos Anéis. Inclusive, nesse livro, King faz inúmeras homenagens ao mestre da fantasia, J R. R. Tolkien, citando-o em várias partes do livro.

A Dança da Morte é dividido em três partes. Na primeira, Capitão Viajante, somos apresentados aos personagens centrais e às consequências da epidemia da supergripe causada pelo vírus que escapou do laboratório que também é conhecida como Capitão Viajante. Essa parte então narra como os poucos sobreviventes lidam com catastrófica situação que muda drasticamente tudo ao redor. Aqui é onde King também constrói aquela aura inquietante de terror e sobrenatural que só tende a crescer no decorrer da trama, culminado com cenas de tirar o fôlego, e também apresenta seus personagens centrais, seus dramas e suas histórias o que os torna bastante vívidos. Uma moça grávida, um cantor pop iniciante, um homem taciturno do interior, um velho sociólogo pessimista, um carismático surdo mudo e um retardado muito simpático figuram entre os personagens principais da trama. Uma coisa que achei muito boa foi a evolução destes personagens no decorrer do livro, até alguns dos “malvados” tiveram seus pontos altos.

Na segunda, Na Fronteira, é onde os sobreviventes começam a ter contato mais direto com o sobrenatural, pois todos sonham ou com uma velha e bondosa senhora de 108 anos, Mãe Abagail, ou com o temível homem escuro, o famoso vilão de King, Randall Flagg. Aqui os personagens fazem suas escolhas e partem para a tentativa de reconstruir o mundo. Os “bons” se juntando a Mãe Abagail e os “maus” se juntam a Flagg. Aqui acho interessante mencionar que nem todos são 100% bons ou maus, todos eram acima de qualquer coisa humanos e até mesmo seus líderes, Abagail que representava o bem, e Flagg que representava o mau, tiveram seus momentos de falha. O que King deixa claro também é a questão do livre arbítrio, a maioria sonhava com os dois lados e escolhiam aquele que mais lhe agradasse. Essa segunda parte foi a que teve seus momentos de calmaria, até demais pro meu gosto, algumas passagens foram um tanto chatas e sem propósito definido.

Na terceira, A Resistência, é quando os caminhos se convergem e os dois lados começam a ver um ao outro como uma ameaça para a sua sobrevivência. Essa última parte culmina com cenas emocionantes e surpreendentes. Foi a parte que li mais rápido, em um dia apenas, e depois da leitura respirei fundo e me dei conta de que King conseguiu escrever um livro melhor que O Iluminado, que pra mim tinha sido a melhor obra dele. Alguns podem discordar de mim, mas A Dança da Morte é o melhor livro de King, e quem acompanha A Torre Negra vai encontrar na saga inúmeras referências a esse livro, começado por Flagg.

Algumas partes de A Dança da Morte podem soar meio religiosas, em especial na segunda metade do livro. Mas o que me pareceu foi uma coisa meio dúbia, que ora soava religioso ora profano, bem no estilo King, o que fica bem interessante. Só que Stephen King não escreveu uma obra ateísta ou religiosa apenas levou em conta tudo aquilo que passam por nossa cabeça no que se refere ao sobrenatural, não dando o crédito total à fé religiosa. Toda a trama de terror e drama tem então uma capa religiosa bem trabalhada onde King ousou ao fazer referências claras à Bíblia, do Êxodo ao livro do Apocalipse, sem contar as inúmeras passagens que acompanhamos no decorrer do livro. Faço uma menção honrosa à uma citação do salmo 23 perto do final da parte 3 que me fez chorar horrores!

Por fim, ler a dança da morte foi uma verdadeira viagem. Enquanto lia me senti realmente na companhia desses personagens em sua peregrinação através de um país devastado, onde a aura de morte impregnava tudo. Em sua escrita detalhada King faz com que o leitor sinta tudo no ambiente que cerca seus personagens, bem como experimentar na pele o que eles sentem intimamente. A cena em que Larry Underwood (o cantor), fugindo da Nova York devastada, atravessa o túnel Lincoln, escuro e cheio de corpos em decomposição me deu calafrios. Pude sentir na pele o medo e o pânico de Larry bem como a aura sombria de um local que só cheirava a morte. Isso mostra como King é um verdadeiro gênio da escrita, não só de horror, por que tudo que o cara escreve é muito bom e de uma qualidade sem tamanho! E hoje sem a menor sombra de dúvidas coloco o Rei no topo da lista dos meus autores preferidos.

Esse livro recentemente foi lançado com uma nova capa e letras maiores pela Suma de Letras. As 944 páginas da edição da Objetiva se transformaram em 1248 páginas que assustam qualquer leitor, mas o que aumentou em páginas diminuiu em preço o que antes custava até R$ 100,00 pode ser adquirido por até R$ 67,00 ou por R$ 30,00 na versão digital.

A Dança da Morte teve uma adaptação pra TV datada de 1994 e pode ser encontrado em DVD. Recentemente a Warner anunciou que lançará um filme baseado na obra, mas atualmente está apenas no papel. Fica a torcida para o filme sair o mais breve possível!

Título original: The Stand (1978, 1990)
Tradução: Gilson B. Soares
Editora: Suma de Letras
Páginas: 1248

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Especiais, de Scott Westerfeld

Especiais Scott Westerfeld Fantasia BR

Finais de séries sempre são complicados. Não tem como não criar expectativas, ter nossos palpites e coisas do tipo. Com essa série não foi diferente. É impossível agradar todo mundo. Mas para minha sorte esse foi um final muito digno para um série significativa.

Acho que não preciso avisar que tem spoilers dos livros anteriores, né?

Depois que Tally Youngblood se transformou em uma Cortadora – um grupo de elite de Especiais – ela está mais uma vez sob controle da Dra. Cable e da cidade. Embora possa desfrutar de alguma liberdade e de um corpo com capacidades sobre humanas ela é novamente uma prisioneira mental.

Mas Tally nunca foi o tipo normal de pessoa. As recordações do passado ainda mechem com ela, o que não deveria acontecer.

Tally e Shay e os outros cortadores descobrem que enfumaçados estão contrabandeando para dentro de Nova Perfeição comprimidos de cura para as lesões cerebrais que os perfeitos sofrem durante as suas cirurgias. Através dessa descoberta elas bolam um plano para descobrir onde fica a cidade de Nova Fumaça e assim poderem enfim acabar com a ameaça dos enfumaçados. Como era de se esperar o plano é muito arriscado e envolve quebrar muitas regras e por muitas pessoas em perigo.

É certamente um livro diferente dos demais. Aliás essa é uma característica de toda a série. A cada livro a história muda de cara assim como a protagonista. Tally passou ao logo da série por inúmeras transformações não só físicas, mas principalmente internas e sentimos isso nitidamente na narrativa.

Cada umas dessas transformações deixou sua marca e não têm como Tally voltar a ser a mesma menina inocente de antes. Tally agora é uma mulher e precisa decidir como agir e não apenas ser mais uma vítima das consequências. Depois de passado o tempo de incertezas ela finalmente é obrigada a fazer suas escolhas definitivas e surpreende todo mundo.

Eu mesmo não esperava por esse final, mas ele foi totalmente coerente com a proposta do autor para a série. Na verdade, na minha opinião, foi a melhor escolha, e demostra como a Tally amadureceu, embora possa te deixar com uma estranha sensação de que talvez não tenha sido um final totalmente feliz.

Ao logo do livro finalmente o mundo como um todo vai sendo mais explorado e conhecemos melhor como as coisas funcionam em um escala maior. Era uma coisa que eu esperava muito e finalmente me senti satisfeito.

Especiais, como toda boa distopia, assim como os livros anteriores, está cheio de analogias e críticas a nossas sociedade. Mais nesse, além disso, traz também no eu fim uma esperança e uma mensagem bem clara.

Ainda existe mais um livro na série, chamado Extras, mas que não mais acompanha a história de Tally, mas de outros personagens dentro do mesmo universo ficcional criado pelo autor.

Título: Especiais

Título original: Specials

Autor: Scott Westerfeld

Ano: 2011

Páginas: 351

Editora: Galera Record

Tradução: André Gordirro

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Pistoleiro: A Torre Negra vol. I, de Stephen King

O Pistoleiro A Torre Negra vol 1

Roland Deschain é o último pistoleiro, vindo de um mundo devastado esse enigmático personagem inicia neste primeiro volume, de uma série de 7 livros, sua peregrinação em busca da lendária Torre Negra, um lugar místico que controla todo o Tempo e Espaço, a única coisa capaz de restaurar seu mundo.

O livro inicia-se em uma paisagem desolada que dá aquela sensação de tristeza e abandono, mas que encanta ao mesmo tempo, e é aqui que nos deparamos com Roland no encalço do Homem de Preto, uma espécie de feiticeiro que tem muitas respostas ás suas perguntas sobre sua busca pela Torre. No caminho, através desse mundo estranho, desértico e cheio de elementos fantásticos Roland se depara com alguns obstáculos e a trama possui também alguns flashbacks que dão algumas poucas revelações sobre o passado do pistoleiro. As poucas aventuras no decorrer do livro são de tirar o fôlego como a passagem de Roland pela cidade de Tull, que teve um desfecho incrível, surpreendente e com muita ação (foi minha passagem favorita) e também o encontro do pistoleiro com o garoto Jake (um personagem de extrema importância na série) que foi um tanto dramático.

Não há muito o que comentar em relação ao primeiro livro de A Torre Negra. Uma palavra resume a maior parte dele: confuso! Mas isso não quer dizer que o livro é ruim, muito pelo contrário. Uma coisa que King faz com o leitor aqui: simplesmente o joga em um mundo totalmente estranho, com um personagem extremamente enigmático com um proposito meio sem fundamento e maluco em mente que é encontrar a maldita Torre. A impressão que se tem de O Pistoleiro é que ele não é nada mais que um imenso prólogo para o que verdadeiramente te espera nos volumes seguintes da série. Pois a partir do capítulo final você começa a enxergar o propósito da história e que rumo ela deve tomar a partir de então. Mas, mesmo assim o leitor ainda se sente meio perdido. Por isso, a meu ver, A Torre Negra não é recomendada para leitores que não conhecem Stephen King. Se nunca leu nada dele não comece por essa série.

King é sutil em sua maneira de contar uma história, nada de entregar tudo de mão beijada de uma só vez, ele gosta de brincar com o leitor o seduzindo aos poucos seja com uma violenta cena de ação, algumas revelações surpreendentes e pequenos dramas ao longo da trama. E o que sei sobre A Torre Negra é que se trata de uma LONGA história dividida em sete volumes e o mundo fantástico que serve de pano de fundo para a série é, segundo o próprio King, seu próprio mundo imaginário onde ele criou grande parte de suas histórias.

Então se leu O Pistoleiro e esperava mais como eu, espere pois o que é bom de verdade começa a partir do volume dois, A Escolha dos Três, que espero resenhar em breve. Então até lá e Longos Dias e Belas Noites!

Título: O Pistoleiro: A Torre Negra vol. I

Título original: The Gunslinger

Autor: Stephen King

Ano: 2004

Páginas: 224

Editora: Suma de Letras

Tradução: Mario Molina

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Wild Cards – O Começo de Tudo, edit. por George R. R. Martin

Wild Cards - Livro 1, O Começo de Tudo, George R.R. Martin

Já comecei esse livro com uma pequena suspeita de que talvez essa coisa de uma mesma história contada por tantos autores em contos diferentes talvez não deixasse o efeito muito bom. Engano meu.

Ser exposto a tantos autores diferentes deixou a história, de uma modo geral ainda mais interessante na medida em que cada autor, imprimindo um pouco de sua personalidade aos personagens de seus contos, tornou mais “realista” as mudanças de pontos de vista. Isso só enriqueceu a obra.

Mas eu também me peguei perguntando como o esquema de produção do livro funcionou. São treze autores, mas os contos estão muito bem sincronizados entre si, com personagens de um conto aparecendo em outros de uma maneira bem natural. Fiquei imaginando como o Martin fez isso funcionar, se ele trocava os contos entre os autores, se ele determinava o enredo das histórias... Mas o importante é que o livro todo é bem executado, eu garanto.

A história gira em torno de um vírus alienígena que, nada acidentalmente, cai na terra e depois de alguns acidentes infelizes acaba se espalhando por Nova York mantando muitas pessoas e mudando algumas poucas. Dentre as que sobreviveram, as que não se transformaram em coisas grotescas, que foram apelidadas de coringas, desenvolveram poderes sobre-humanos e foram batizados de azes.

Eu sei que você pode estar se perguntando “mutantes tipo X-Men?”. A resposta é com certeza não. Tá mais pra “mutantes tipo Heroes (a série de TV)”. Eles inicialmente são pessoas totalmente comuns, algumas até ordinárias, que passam a desenvolver algum dom extra-humano, ou meta-humano como alguns gostam de dizer.

Duas coisas me chamaram a atenção ao longo do livro. <Spoiler> Quase nenhum protagonista era coringa e os finais eram felizes ou o mais próximo disso. Acho que isso é até bom, pois parece que a maioria dos autores que vejo por ai tendem a dar finais trágicos para seus contos. Mas ainda assim queria ver mais da história por trás dos olhos dos coringas <Fim do spoiler>.

O livro termina deixando no ar algumas coisas para serem exploradas mais adiante por alguns personagens que, imagino, vão ser recorrentes ao longo da série.

O próprio Martin só escreveu um conto, se você não contar a introdução e os interlúdios que são escritos em estilo jornalístico. Mas incrivelmente foi um dos contos que eu menos gostei.

Outra coisa que me chamou atenção foi o fato de que, dos treze autores que têm contos no livro, apenas três são mulheres, mas só há dois contos protagonizados por personagens femininos. Não é nenhuma crítica, só uma coisa que acabou me chamando atenção. Acho que pelo fato de eu gostar muito de fantasia e ficção científica escrita por mulheres, e com os contos desse livro não foi diferente. Ritos de degradação, de Melinda M. Shodgrass, e A garota fantasma conquista Manhattan, de Carrie Vaughn, estão entre os meu favoritos.

Eu quero também destacar o conto O dorminhoco, de Roger Zelazny, que foi o meu favorito desse livro e também de onde saiu o meu personagem favorito do livro, que faz várias aparições nos outros contos e espero que seja ainda mais utilizados nos próximos livros.

O livro é praticamente todo ficção científica, pois as explicações para os poderes são de origem genética, mas isso não restringe nada. Às vezes os autores dão uma flertada com o fantástico e o terror sem causar nenhuma estranheza, pois afinal, antes de tudo, é um livro sobre super-heróis. Ou seja, você pode esperar um pouco de todos os gêneros.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Coisas Frágeis, de Neil Gaiman

Coisas Frágeis, de Neil Gaiman

Por algum motivo por mim desconhecido a Conrad decidiu dividir, no Brasil, o livro Fragile Things do britânico Neil Gaiman em dois volumes. Esse texto, portanto, trata-se apenas do primeiro volume.

Ainda não tinha descoberto o lado contista do autor e nesse estilo ele se sai tão bem como romancista. Na sua introdução Gaiman nos explica sobre o título do livro e também nos apresenta a história por trás de cada conto, seus prêmios, como eles surgiram e foram parar ali. Essa leitura é um prazer a parte, nos tornando mais “íntimos” do livro como um todo. E também acabamos conhecemos um pouco mais sobre o autor.

De todos os contos incluídos nesse volume, o que mais me impressionou foi, com certeza, o conto de abertura, Um Estudo em Esmeralda. O conto mistura de uma forma única o mundo criado pelo escritor H. P. Lovecraft e o personagem Sherlock Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. Um pouco de lógica em um mundo doido.

O conto A Vez de Outubro serviu como uma espécie de treino para Gaiman antes de escrever o Livro do Cemitério. Esse é bem curioso também e achei que os meses bem que poderiam ter um livro com suas histórias.

Gaiman resolveu explorar o final da personagem Susana, de As Crônicas de Nárnia, em um conto que também trata de literatura infantil intitulado O Problema de Susan. É um conto que incomoda, mas não de um jeito negativo. Incomoda pois nos mostra um lado que talvez não quiséssemos ver em As Crônicas de Nárnia. Além de não ser nada otimista.

Me surpreendi ao ver uma narrativa que se passa no universo do filme Matrix. Gaiman escreveu Golias para o site do filme, mas ele evidencia algo que me deixa intrigado desde que eu vi o primeiro filme: por que as máquinas são tão dependentes dos homens? Apesar de eu nunca ter me convencido com as explicações apresentadas para essa premissa básica, o conto mostra o mundo de Matrix sobe um novo angulo enriquecendo ainda mais esse universo.

O Monarca do Vale narra os fatos que ocorreram com Shadow, personagem do livro Deuses Americanos, enquanto ele visitava a Escócia, e foi inspirada por Beowulf, mas não achei nada parecido com o filme A Lenda de Beowulf roteirizado por Gaiman e Roger Avary. Inda não li o Deuses Americanos, mas a narrativa e o personagem me envolveram tanto que fiquei com ainda mais vontade de mudar essa situação.

O livro também inclui outros contos incríveis, mas esses foram os que mais me chamaram a atenção. É comum, em um livro de contos, você gostar de alguns contos e outros não. Mas quando se trata de Neil Gaiman é difícil ficar sem algum pra gostar.

Título: Coisas Frágeis
Título original: Fragile Things (2006)
Autor: Neil Gaiman
Ano: 2010
Páginas: 205
Editora: Conrad
Tradução: Michele de Aguiar Vartuli

terça-feira, 12 de junho de 2012

Neon Genesis Evangelion, ou como enlouquecer vendo um anime

Neon Genesis Evangelion

Minha batalha começou mais ou menos no final do ano passado. Mesmo não sendo um hábito, ocasionalmente leio blogs e sites de animes. Nesses locais é fácil perceber que Neon Genesis Evangelion é um dos mais cultuados animes que existem. Não precisou muito pra que eu decidisse assistir ao anime. O visual bonito e comentários sobre como a série discutia questões filosóficas e viajava ao interior da alma humana. Fui conferir.

Cerca de 15 anos atrás, um Anjo desencadeou o chamado Segundo Impacto (o Primeiro foi, presumivelmente, o que extinguiu os dinossauros), um evento de grande escala que matou muitas pessoas em todo o mundo e afetou toda o ecossistema terrestre. Depois disso a organização NERV criou os Evangelions, ou EVAs, enormes unidades de batalha usadas pelos seres humanos para proteger a Terra da invasão de novos Anjos. Mas os EVAs só podem ser pilotados por algumas crianças especiais, que nasceram depois do Segundo Impacto e que possuem uma sincronia com o EVA.

sábado, 14 de abril de 2012

Perfeitos, de Scott Westerfeld

Perfeitos de Scott Westerfeld

Tally é muito azarada. Por mais que essa garota se esforce, tudo sempre dá errado para ela. Isso não é diferente em Perfeitos.

(Cuidado: spoilers do livro anterior.)

Tally tornou-se perfeita, como prometido em Feios, o livro anterior. Agora ela é exatamente como os outros perfeitos, linda e avoada. O que acontece é que a operação para tornar-se perfeita também inclui uma lavagem cerebral. Já esquecida do motivo de ter se entregado para operação, Tally agora tem uma nova vida, cheia de baladas e glamour, e é nessa vida que a maior parte do livro está centrada.

Ela quer entrar para os Crims, um grupo de perfeitos que é conhecido por estar sempre aprontando em Nova Perfeição. Zane, o líder dos Crims, é um personagem chave nesse livro, levando Tally a desobedecer várias regras. É claro que por isso ela logo começa a chamar atenção da terrível Dra. Cable e dos outros Especiais.

Como era de se esperar, o grupo rebelde Enfumaçados vai atrás dela para lhe entregar a cura para a operação, mas ela já não lembra bem de sua vida como feia, nem que precisa ser curada.

Ao longo do livro o autor também nos dá novas informações sobre como o mundo chegou ao estado atual e do desastre que desencadeou essa mudança, o que eu achei muito bom, pois o livro anterior deixou muito a desejar nesse aspecto. Como já tinha sido dito em Feios, tudo foi resultado da ganância e egoísmo humano, mas o livro dá fortes indícios de que a catástrofe global foi proposital. Espero que esse aspecto seja mais explorado nos próximos livros, pois é uma parte que da história que me deixou curioso.

O novo ponto de vista que o livro nos dá, o de uma perfeita, torna mais completo nossa compreensão sobre o funcionamento de Nova Perfeição, mas ao mesmo tempo provoca estranheza. Ver Tally ter se tornado tão fútil é um pouco desagradável.

Muito mais que no livro anterior, as escolhas de Tally tiveram consequências desastrosas. Ela  é uma personagem muito real. Não dá pra ser hipócrita questionando as suas escolhas, sendo que a grande maioria de nós faria o mesmo. Sempre preferimos escolher os caminhos mais fáceis, como quando ela estava em dúvida sobre a cura e aceita dividir o fardo. E mesmo quando ela faz a coisa certa tende a ter que trair a confiança de alguém, como a sua escolha no final do livro.

Confesso que sou fascinado pela construção de Westerfeld para sua protagonista. Ele faz com que nós tenhamos raiva dela, sem podermos realmente ódia-la. Ela é parecida demais com nós mesmos, para que façamos isso.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Rosa, curta-metragem de Jesús Orellana

Rosa é um curta-metragem de ficção científica que vem virando um fenômeno, chamando atenção por vários festivais de cinema por onde passou e despertando o interesse dos estúdios de Hollywood.

ROSA from Jesús Orellana on Vimeo.

Tudo acontece em um mundo pós apocalíptico, onde já não há mais formas de vida natural. Quando a ciborgue Rosa, uma das última esperança da restauração da vida na terra, desperta logo descobre que não está sozinha e terá de lutar por sua sobrevivência.

O curta foi totalmente criado de forma independente pelo jovem artista de histórias em quadrinhos, Jesús Orellana no período de um ano. A 20th Century Fox será responsável pela adaptação do curta em um live-action, com a direção de Orellana.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A Guerra dos Mundos Maranhense

Guerra dos MundosNo sábado 30 de outubro de 1971 a Rádio Difusora, de São Luiz no Maranhão, interrompeu sua programação normal pra fazer um estranho comunicado: eles anunciaram uma invasão alienígena!

Tratava-se de uma adaptação radiofônica da Ficção Científica "A guerra dos mundos", publicada em 1898 por H. G. Wells. Tal transmissão foi inspirada em uma famosa encenação de 1938 levada ao ar por Orson Welles nos EUA. Assim como na transmissão radiofônica de Welles, muita gente acreditou que a transmissão da rádio Difusora era verdade.

A trama foi toda adaptada para a realidade local. A rádio anunciava que os marcianos estavam chegando em São Luís e muitos pessoas interpretaram isso como o anúncio do próprio fim do mundo e trataram de ir o mais depressa que puderam para casa passar os últimos instantes com suas famílias. Foi uma confusão. Até as portas do comércio do centro histórico de São Luís forma fechadas.

Como consequência, depois que a transmissão já havia encerrado, o exército invadiu a rádio e a fechou por três dias. Os radialistas só conseguiram se safar pois eles introduziram em dois momentos da gravação (mas que não foi ao ar na transmissão original) um aviso dizendo que se tratava de uma obra de ficção.

Ouça o áudio do programa “A Guerra dos Mundos” que foi ao ar na Rádio Difusora, de São Luiz, Maranhão, em 30 de outubro de 1971.

Parte I:

Parte II:

Para saber mais sobre essa o caso, leia a entrevista com o professor Francisco Gonçalves da Conceição, coordenador do livro “Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos”, que resgata a memória desse episódio.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

[Anime] Elfen Lied

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Elfen Lied é uma ficção científica bastante original e gira em torno das interações, ideias, emoções e discriminações entre humanos e “Diclonius”, uma espécie mutante parecida com os humanos na forma, mas distinguíveis por dois chifres na cabeça e pelos "vectors", braços invisíveis controlados mentalmente que têm o poder de manipular e cortar objetos dentro do alcance.

elfen_lied_lucyA série animada é baseada em uma série de mangás criada por Lynn Okamoto. A adptação consiste de 13 episódios e foi criada pela ARMS e distribuída pela TV Tokyo em meados de 2004. Uma curiosidade é que o anime teve início antes de o mangá estar completo e como resultado, a trama é diferente nas duas versões, especialmente quanto ao fim da história. Em 2005, um episódio especial foi lançado, cuja história se encaixa entre os episódios 10 e 11 do anime.

O desenho é focado na jovem Diclonius "Lucy", que foge do laboratório onde sua espécie era estudada e mantida em segredo. Ela, quando jovem, foi rejeitada pelos humanos e consequentemente alimenta uma vingança contra eles.

Encontrada por Kouta e sua prima Yuka na praia quem responde no lugar de Lucy é uma outra personalidade sua bastante diferente da original, chamada por Kouta de Nyuu, devido a essa ser a única palavra que ela sabe dizer. Nyuu é dócil e amável e em nada se parece com assassina que despedaçou milhares em sua fuga desenfreada.

Aos poucos vamos percebendo que os laços que unem todos os personagem do desenho são bem mais profundos, há mistérios envolvendo todos na trama que de início não parecem fazer sentido.

elfen_lied_02Outras personagem da história também merecem destaque, como Mayu, uma sem teto que acaba sendo acolhida por Kouta e Yuka, e a Diclonius número sete Nana. Enviada para matar Lucy, Nana acaba falhando e é encontrada por Mayu e acabam se tornado amigas, apesar de ser uma diclonius  ela parece ter absoluto controle sobre os vectors e é por isso, inofensiva.

Nana é a única que percebe que há algo de estranho com Lucy e desiste da ideia de matá-la, acreditando que enquanto ela fosse Nyuu, não ofereceria perigo. Enquanto isso os pesquisadores responsáveis pelos Diclonius procuram incessantemente por Lucy, acreditando que enquanto ela estiver livre a humanidade corre perigo.

Uma das coisas mais interessantes do anime é que o que mais me envolveu na trama foram os conflitos e as dores emocionais dos personagens. Todos possuem um passado marcado por dor e sofrimento e isso é o que os acaba unindo. Retalhos de lembranças ao longo dos episódios vão sendo reunidos  e acabam mostrando que aparentemente não foi o acaso que que uniu a todos.

133985855_cedca8cbd3O clímax do anime me surpreendeu em vez do esperando festim sangrento o que vi, além disso, foi um profundo e emocionante acerto de contas, onde todos os remorsos, sentimentos ocultos e medos escondidos foram postos em pratos limpos revelando que apesar de todo o mal que alguém possa cometer, até o mais perverso dos crimes pode ser perdoado, pois o amor é um sentimento bastante forte.

Essa foi a impressão que o desenho me deu, uma ficção cientifica  bastante original com um roteiro muito inteligente e um conflito emocional dos mais profundos e belos de se ver. Recomendo!