domingo, 14 de abril de 2013

O Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares, de Ransom Riggs

O Orfanato da Srta. Peregrine

 

 

“A composição da espécie humana é infinitamente mais diversa do que a maioria dos humanos suspeita.” (Pag. 144)

Existem os humanos comuns que são a maioria e existem aqueles chamados de peculiares por possuírem habilidades incomuns e surpreendentes. Meio X-men não é? Bom eu não compararia essa historia a nada apesar de abordar um tema meio clichê, a trama é original e te prende desde a capa até o comentário do grande Tim Burton nas costas do livro.

“Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito...” (Tim Burton)

Ransom Riggs criou personagens interessantíssimos e misteriosos, a começar pelo seu protagonista Jacob que cresceu ouvindo historias bem fantasiosas de seu avô sobre uma ilha magnífica onde existia um orfanato especial que abrigava crianças com super poderes e eles viviam em paz e harmonia vigiados pelo olhar protetor da Srta. Peregrine. No inicio quando Jacob era apenas uma criança foi muito fácil acreditar em todos aqueles contos fabulosos, mas com o passar dos anos seus pais foram abrindo seus olhos para a terrível verdade por traz do passado sombrio de seu avô que é um sobrevivente da segunda guerra. Agora com seus 16 anos ele tem certeza de que tudo não passava de alucinações criadas pela mente perturbada de um velho homem a beira do declínio. Mesmo com a descrença de todos, o velho Abraham continua sempre afirmando que suas historias são reais. Então numa noite Jacob recebe um telefonema desesperado de seu avô que muda toda a sua vida para sempre. Com Abraham morto e palavras sem sentido ditas na sua hora derradeira, Jacob parte numa busca pela verdade e acaba indo parar na tal ilha misteriosa onde começa a ter respostas surpreendentes sobre a vida de seu avô. Seria tudo verdade ou parte de uma loucura sem limites?

O modo como a realidade se funde ao irreal nesse livro é encantador e alguns assuntos como confiança, relações entre pais e filhos e a dificuldade de aceitar e entender o desconhecido são tratados de uma forma sutil durante toda a história de Jacob. Com certeza foi a leitura mais diferente que fiz esse ano, pois durante todo o livro existem fotografias antigas que auxiliam o entendimento da história e tornam a trama muito mais interessante. Fiquei muito surpreso com o rumo que tudo seguiu apresentando vários ganchos para uma possível continuação que eu espero sinceramente que não demore a sair. Um livro cativante, envolvente, assustador em certas partes, divertido em outras e acima de tudo fantástico!

 

Título: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares

Título original: Miss Peregrine’s: home for peculiar children

Autor: Ransom Riggs

Ano: 2012

Páginas: 335p.

Editora: Leya

Tradução: Edmundo Barreiro e Marcia Blasques

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Bento, de André Vianco

General b2winc

E se de repente você acordasse em um hospital sem lembrar-se de nada da sua vida? E que o mundo foi dominado por vampiros e que os humanos agora estão confinados em pequenas comunidades de sobreviventes? Isso é o que acontece com Lucas, no livro Bento de André Vianco. E mais, ele descobre que faz parte de um pequeno grupo que tem uma estranha e inexplicável habilidade contra os vampiros. Lucas é um Bento. Mais que isso, ele é o trigésimo Bento, o que significa que ele deve liderar os outros para a libertação dos humanos.

Depois de muitos livros com vampiros bonzinhos, foi um tremendo alivio ler esse livro, com vampiros assassinos e sedentos por sangue. Não que eu não goste dos outros, mas esses não muito mais o meu estilo.

O livro dá a oportunidade de vermos essa luta entre humanos e vampiros de diversos ângulos, ao apresentar diferentes personagens. Acompanhamos também o lado dos vampiros, que também passam a ter suas próprias profecias.

Na apresentação do passado de alguns personagens, temos uma ideia de como foi A Noite Maldita, o dia em que os vampiros começaram a se transformar e muitos humanos caíram em um longo coma. Mas o foco desse livro não é explicar como as coisas começaram, mas como os humanos vão derrotar os noturnos.

Lucas inicia uma jornada, com seus companheiros, por um Brasil dominado pela vida selvagem. As grandes cidades agora não passam de ruínas e as noites são dominadas pelos vampiros. A comitiva enfrenta perigos a cada passagem, e o sucesso parece incerto.

Ao iniciar a narrativa algo me incomodou imediatamente. Ainda não tinha lido nenhum outro livro do Vianco, mas percebi logo que ele adora pontos finais. Depois de um tempo o meu cérebro passou a substituir automaticamente os pontos por vírgulas para deixar a leitura mais fluida.

Outro aspecto que me incomodou um pouco foi certos personagens, que para mim pareceram estereotipados demais. Desses, o que mais me incomodou de uma forma geral foi o Bispo, um nordestino com sotaque carregado e expressões tradicionais.

A leitura por vezes me deixava cansado e eu não pude fazer grandes avanços por conta do tipo de papel do livro, branco. O papel branco sempre incomoda meus olhos e me impede de ser mais rápido.

No final, senti um grande pulo na narrativa. Depois do clímax, vem uma explicação do que ocorreu depois que não me agradou como leitor. Prefiro sempre “ver” ao invés de “me contarem”. Mas ai você percebe ainda há muita coisa pra explicar. É que esse só é o primeiro de uma série, que continua com O Vampiro Rei Vol. 1, que mudou de nome para Cantarzo, e termina em O Vampiro Rei Vol. 2, que mudou de nome para Bruxa Tereza, em edições recentes.

Título: Bento
Autor: André Vianco
Ano: 2003
Páginas: 517
Editora: Novo Século

segunda-feira, 11 de março de 2013

Douglas Adams

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“Há uma teoria que indica que sempre que qualquer um descobrir exatamente o que, para que e porque o universo está aqui, o mesmo desaparecerá e será substituído imediatamente por algo ainda mais bizarro e inexplicável… Há uma outra teoria que indica que isso já aconteceu.”

Douglas Adams

Nasceu em 11 de março de 1952. Faleceu em 11 de maio de 2001.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Protocolo Bluehand: Zumbis, de Abu Fobiya, Alexandre Ottoni e Dave Pazos

Protocolo Bluehand Zumbis capa {Fantasia BR}

A epidemia zumbi que vai devastar a Terra dos antes dominadores humanos está a um passo de acontecer. Você precisa mesmo ficar preocupado. Mas ainda lhe resta uma última chance de salvação. O Protocolo Bluehand: Zumbis. Pelo menos é isso o que promete o próprio livro.

O primeiro Protocolo Bluehand publicado foi o Alienígenas, escrito pelo Eduardo Spohr.  Os Protocolos são guias de sobrevivência e salvação publicados pela Editora NerdBooks do site Jovem Nerd. O objetivo da editora é fazer produtos exclusivos para seu público, então você só vai conseguir comprar esse livro no site Nerdstore.

Protocolo Bluehand: Zumbis não é (só) um livro de ficção. É um manual de sobrevivência prático e utilizável. Nele você vai descobrir a verdade que, segundo os autores, vem sendo escondida da humanidade já há algum tempo pelos governos, temendo a instauração geral do pânico.

A epidemia zumbi pode ocorrer a qualquer momento. Tudo por conta de uma série de coincidências que levaram a criação de um protozoário (e não um vírus) que causa a zumbificação das pessoas. Esse protozoário já se espalhou pelo planeta e está latente em boa parte da população, podendo se manifestar depois de um abalo emocional forte.

O tal protozoário é chamado o tempo todo de T. zombi o que me incomodou um pouco o biólogo dentro de mim. Acontece que só se pode abreviar o nome de uma espécie depois de der escrito seu nome por completo ao menos uma vez no texto, o que não ocorreu. Eles atribuem que o T. zombi é uma associação mutante do vírus da raiva com T. gondii (o “T.” vêm do gênero Toxoplasma, mas ele não falam isso no livro) o protozoário causador da toxoplasmose, que faz com que os ratos percam o medo por gatos.

Dá pra notar uma intensa pesquisa e cuidado na busca de referências para a elaboração do Protocolo. Achei o Protocolo Bluehand muito útil. Mesmo que uma epidemia zumbi não aconteça, aprendi muitas técnicas que poderão tornar a minha vida mais fácil em situações adversas. Como, por exemplo, poderia ter acontecido com o H1N1 (não que se deva matar seus portadores, óbvio). Você vai aprender desde como cada setor da sociedade vai se comportar diante de uma crise no sistema econômico e governamental mundial, com o perigo do surgimento de milícias, até como tomar banho com pouca ou nenhuma água e fazer suas necessidades em um mundo sem banheiro.

Além de tudo ele é um dos livros mais cheios de detalhes que já tive a oportunidade de ter nas mãos. Você não vai encontrar um Protocolo Bluehand: Zumbis em bom estado. Ele já foi utilizado, amassado, manchado, rasurado, ensanguentado e mordido. São inúmeras as marcas de dedos, as manchas de sangue e mofo, páginas tortas, colagens e principalmente as úteis e divertidas “observações feitas à caneta”.

Além dos já citados “defeitos”, o livro é recheado de ilustrações, diagramas e mapas. Me surpreendi quando me deparei com umas páginas extras enfiadas ali no meio do livro pelo suposto último dono do livro. As ilustrações são do artista Marcio L. Castro, com um estilo rabiscado, o que deixa o livro ainda mais com aparência de usado.

Piadas e referências nerds é o que não falta. Tem momentos em que não dá mesmo pra segurar o riso. O que poderia ser um livro muito chato, torna-se uma leitura prazerosa pra qualquer nerd ou fã de cultura pop.

Um dos autores do livro, Abu Fobiya, é alter ego do escritor, roteirista de quadrinhos quadrinhos e desenhos animados Fábio Yabu. O Dave Pazos, mais conhecido como Azagal, foi o editor do livro. Já o Alexandre Ottoni, o Jovem Nerd, não entendi se ele contribuiu diretamente no texto, mas acho que o nome dos três aparecem na capa pois sem qualquer um deles o projeto não seria possível.

Título: Protocolo Bluehand: Zumbis: seu guia definitivo contra os mortos e os vivos
Autores: Abu Fobiya, Alexandre Ottoni e Dave Pazos
Ano: 2012
Páginas: 272
Editora: Nerdbooks

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O Mundo dos Pequeninos [Filme]

O Mundo dos Pequeninos {Fantasia BR}

Cada vez mais eu fico encantado com as obras do Studio Ghibli. Depois de ver o premiado A Viagem de Chiriro e o ótimo O Castelo Animado tenho garimpado por produções mais antigas do estúdio e não tenho me decepcionado. Mas minha mais recente descoberta foi um filme relativamente recente, o filme O Mundo dos Pequeninos é de 2010 mas só chegou ao Brasil em 2012 e direto em DVD.

O filme na maior parte do tempo mostra o ponto de vista dos pequenos coletores. Eles são seres parecidos com os humanos só que com apenas alguns centímetros de tamanho e que vivem de recolher coisas dos humanos em pequenas quantidades para que não sejam notados. Devido a natureza perigosa dos humanos se um coletor for visto eles precisam se mudar.

O Mundo dos Pequeninos - Arrietty e Sho {Fantasia BR}

Arrietty é uma pequenina de 14 anos que vive com o pai e a mãe sob o assoalho de uma casa humana. Eles desconfiam que sejam os últimos coletores ainda vivos e tomam muito cuidado para não serem pegos pelos humanos e terem o mesmo fim dos outros da sua espécie.

A tranquilidade da família acaba quando Sho, um garoto doente que acabou de mudar-se para a casa, flagra Arrietty em sua primeira coleta com o pai. Uma amizade vai surgindo aos poucos apesar da relutância de Arrietty que teme o perigo que isso pode trazer para sua família. Mas é só quando a empregada da casa decide capturar de qualquer forma os coletores, é que o perigo real chega.

O Mundo dos Pequeninos - Pais de Arrietty {Fantasia BR}

Achei bem interessante como eles se preocuparam em muitos momentos em mostrar os humanos sob a perspectiva dos coletores (como gigantes e ameaçadores) e como os coletores não vivem só de fabricações humanas que adquirem novas funções pelo seu tamanho. Eles também fabricam seus próprios utensílios.

Na maior parte do tempo o filme é bem calmo. Ele vai nos apresentado os personagens pelos seus cotidianos e até a reação dos humanos à presença dos pequenos seres é de nenhuma surpresa, já que existiam histórias sobre a existências deles no local.

Todo o filme despertou em mim uma memória de minha infância. Eu sempre adorei tudo que estivesse relacionado a seres pequeninos e se tivesse visto esse filme na infância com certeza teria se tornado um dos meus preferidos.

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A trilha sonora completa os belos cenários nos fazendo entrar de vez no clima fantástico a obra. O final, apesar de não ser o que provavelmente a maioria espera, achei bastante pertinente e segue a lógica da mitologia criada para o mundo dos pequeninos. Além disso encerra a história e deixa um campo bem amplo para ser explorado nas continuações, se existirem.

O filme é baseado no livro Os Pequenos Borrowers (The Borrowes, 1952), de Mary Norton, que é o primeiro livro de uma série de cinco. Não sei se farão os filmes dos outros livros, mas com certeza seria uma boa pedia. Essa série já teve outras adaptações para as telas, uma delas inclusive com o ator Tom Felton.

O Mundo dos Pequeninos - Japão {Fantasia BR}