O mundo nĂŁo Ă© redondo mas plano e o sol gira em torno de nĂłs. Na verdade o planeta Ă© suspenso sobre as costas de quatro elefantes gigantescos que sustentam o mundo nas costas de A’Tuin a Tartaruga que carrega o planeta em seu casco enquanto vaga pela imensidĂŁo do universo. Isso parece absurdo nĂŁo? Mas Ă© nesse universo de improbabilidades infinitas que Terry Prattchet narra as mais loucas aventuras do universo do fantástico, em uma sĂ©rie que foge do comum em relação aos livros de fantasia. Bem-vindo ao Discworld, onde o improvável, Ă© mais improvável ainda.
A Cor da Magia tem em seu objetivo central ambientar o leitor no imaginário de Prattchet, e nos mostrar como as coisas funcionam no Discworld, o que nĂŁo dá muito certo, pois a toda hora vocĂŞ Ă© pego de surpresa com as coisas mais absurdas e hilárias e começa a entender que nada em Discworld segue uma regra, as leis da ciĂŞncia que se aplicam a nĂłs aqui na Terra nĂŁo seguem a ordem natural das coisas nesse mundo, a nĂŁo ser a Octarina, a oitava cor do espectro do arco-Ăris que está sempre relacionada Ă Magia.
O livro inicia-se com o incĂŞndio da cidade de Ankh Morpork (uma coisa engraçada no nome dessa cidade, por que em inglĂŞs soa como “More Pork”, “Mais Porco”) o que faz sentido, pois Ă© um lugar cheio de feiticeiros, ladroes, espiões, assassinos e trambiqueiros sem o mĂnimo escrĂşpulo, onde atĂ© as baratas roubam dos ratos. E aqui Ă© onde os nossos protagonistas entram, Rincewind, o mago fracassado que sĂł sabe um feitiço e nĂŁo se lembra dele, o turista Duasflor, para que tudo está na mais perfeita ordem, a mala-bagagem do turista, cheia de pernas que anda sozinha e morde! E o bárbaro, cheio de mĂşsculos e quase sem cĂ©rebro Hrun, que compensa a fala de inteligĂŞncia com um imenso talento para lutas (atĂ© dormindo!). Ah, e tambĂ©m o Morte, que apesar de aparecer pouco adorei suas passagens apressadas e bem humoradas no encalço do mago Rincewind. E assim, esse primeiro livro transcorre focando nas desventuras desses inigualáveis personagens ao longo da paisagem fora do comum do Discworld, indo atĂ© a Borda do Mundo onde se metem nas mais inusitadas encrencas.
O que mais gostei em Discworld, além de fugir do convencional na fantasia, que é a patota de heróis lutando pra salvar o mundo, foi a maneira como Prattchet usa de situações inusitadas, desde coisas corriqueiras ao desastre iminente pra fazer o leitor se deliciar com o mais fino humor já visto nos livros de fantasia. O leitor realmente ri na cara do perigo em certos momentos. O autor não necessita de lutas épicas para prender o leitor, apesar de fazer isso com maestria em algumas passagens.
A Cor da Magia tem inúmeras criações do autor despejada em suas poucas 231 páginas, o que pode deixar o livro meio confuso, e uma coisa que não curti muito foi a mudança brusca de cenários em alguns momentos. Mas nada disso tira o encanto dessa obra divertida e original. A série tem em torno de 30 livros publicados no exterior, uma pena que aqui no Brasil a Conrad lançou apenas 13 e por alguma infelicidade nem continuou a publicação dos outros e nem relançou as antigas edições que encontram-se esgotadas.
Então, pra quem quiser fugir da mesmice dos livros de fantasia, Discworld é uma boa pedida, é diversão na certa, muitas risadas, situações hilárias e uma história surpreendente o aguarda!
TĂtulo Original: The Colour of Magic
Ano: 1983
Editora: Conrad
Páginas: 231