sábado, 15 de fevereiro de 2014

Coletânea O Outro Lado da Cidade no Catarse

O Outro Lado da Cidade é um projeto de coletânea e concurso literário de contos de fantasia urbana financiado coletivamente (crowdfunding).

O concurso que escolheu os contos que farão parte do livro já rolou e foram escolhidos oito contos de autores diferentes. Além desses autores foram convidados mais duas autoras, Bárbara Morais e Ana Cristina Rodrigues, para completar os dez contos que estarão no livro.

Mas se você quiser apoiar o projeto ainda dá tempo. Conheça mais sobre o projeto e os autores no site O Outro Lado da Cidade e apoie o livro no site Catarse. O projeto encerra as doações dia 14 de março e já atingiu mais de 50% da meta.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A Cor da Magia, de Terry Prattchet


O mundo não é redondo mas plano e o sol gira em torno de nós. Na verdade o planeta é suspenso sobre as costas de quatro elefantes gigantescos que sustentam o mundo nas costas de A’Tuin a Tartaruga que carrega o planeta em seu casco enquanto vaga pela imensidão do universo. Isso parece absurdo não? Mas é nesse universo de improbabilidades infinitas que Terry Prattchet narra as mais loucas aventuras do universo do fantástico, em uma série que foge do comum em relação aos livros de fantasia. Bem-vindo ao Discworld, onde o improvável, é mais improvável ainda.

A Cor da Magia tem em seu objetivo central ambientar o leitor no imaginário de Prattchet, e nos mostrar como as coisas funcionam no Discworld, o que não dá muito certo, pois a toda hora você é pego de surpresa com as coisas mais absurdas e hilárias e começa a entender que nada em Discworld segue uma regra, as leis da ciência que se aplicam a nós aqui na Terra não seguem a ordem natural das coisas nesse mundo, a não ser a Octarina, a oitava cor do espectro do arco-íris que está sempre relacionada à Magia.

O livro inicia-se com o incêndio da cidade de Ankh Morpork (uma coisa engraçada no nome dessa cidade, por que em inglês soa como “More Pork”, “Mais Porco”) o que faz sentido, pois é um lugar cheio de feiticeiros, ladroes, espiões, assassinos e trambiqueiros sem o mínimo escrúpulo, onde até as baratas roubam dos ratos. E aqui é onde os nossos protagonistas entram, Rincewind, o mago fracassado que só sabe um feitiço e não se lembra dele, o turista Duasflor, para que tudo está na mais perfeita ordem, a mala-bagagem do turista, cheia de pernas que anda sozinha e morde! E o bárbaro, cheio de músculos e quase sem cérebro Hrun, que compensa a fala de inteligência com um imenso talento para lutas (até dormindo!). Ah, e também o Morte, que apesar de aparecer pouco adorei suas passagens apressadas e bem humoradas no encalço do mago Rincewind. E assim, esse primeiro livro transcorre focando nas desventuras desses inigualáveis personagens ao longo da paisagem fora do comum do Discworld, indo até a Borda do Mundo onde se metem nas mais inusitadas encrencas.

O que mais gostei em Discworld, além de fugir do convencional na fantasia, que é a patota de heróis lutando pra salvar o mundo, foi a maneira como Prattchet usa de situações inusitadas, desde coisas corriqueiras ao desastre iminente pra fazer o leitor se deliciar com o mais fino humor já visto nos livros de fantasia. O leitor realmente ri na cara do perigo em certos momentos. O autor não necessita de lutas épicas para prender o leitor, apesar de fazer isso com maestria em algumas passagens.

A Cor da Magia tem inúmeras criações do autor despejada em suas poucas 231 páginas, o que pode deixar o livro meio confuso, e uma coisa que não curti muito foi a mudança brusca de cenários em alguns momentos. Mas nada disso tira o encanto dessa obra divertida e original. A série tem em torno de 30 livros publicados no exterior, uma pena que aqui no Brasil a Conrad lançou apenas 13 e por alguma infelicidade nem continuou a publicação dos outros e nem relançou as antigas edições que encontram-se esgotadas.

Então, pra quem quiser fugir da mesmice dos livros de fantasia, Discworld é uma boa pedida, é diversão na certa, muitas risadas, situações hilárias e uma história surpreendente o aguarda!

Título Original: The Colour of Magic
Ano: 1983
Editora: Conrad
Páginas: 231

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Prémio Bang! de Literatura Fantástica 2014

 
Clique para comer o bolo que faz crescer.
 
O Prémio Bang! pretende encontrar um romance inédito de literatura fantástica, ou seja, ficção científica, terror/horror, fantasia, histórias alternativas, realismo mágico...

Organizado pela Editora Saída de Emergência, o livro ganhador deverá ser publicado simultaneamente no Brasil e em Portugal e o autor ou autora vencedor(a) receberá ainda um prêmio (ou prémio) de 3.000 euros.

Fiquem atentos, o concurso é exclusivo para livros inéditos, escritos na língua portuguesa, mas também exclui livros que já tenham já sido premiados ou recomendados para publicação noutros concurso, mesmo que ainda sejam inéditos.

O prazo para candidaturas vai até o dia 6 de Julho de 2014. O regulamento completo está no site da Revista Bang!

Boa sorte escritores!

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Conheça: Santuário



É demasiada vaidade acreditar que o homem é soberano sobre a Terra. Na escuridão ou sob as águas, enraizado no próprio cerne da humanidade, existiu sempre algo mais. Mas a era da fé no divino e no profano, em suas formas puras, se acabou. Contudo, isso não significa que crenças nascidas outrora também tenham se evanescido. A eternidade jaz no silêncio. O éter jamais se desfaz.

A seca de junho trouxe pedra erodida do fundo do rio. O que antes era apenas nostalgia, ressurgiu. As pessoas passam a ir a Quinze de Novembro para ver as ruínas de Passo do Lagoão. Todavia, algo mais ascendeu com as ruínas e o lodo.

Um estudante de uma excursão é encontrado afogado. Mas o enfermeiro Egon tem razões para suspeitar que algo está sendo encoberto. Ele próprio encontrou o estudante febril, na noite antes de sua morte. Uma febre atroz, sem razão, que também acometia outro menino da localidade.

Ian Beck é um professor universitário que escolheu seus passos e determinou sua própria obsessão. Na vã tentativa de fugir dos seus erros, ele esbarra no que poderia ser o seu mais sublime: Laura. Ele navega através de águas escuras. Entre a ânsia de confortá-la pela morte do amigo Pedro e recuperar sua vida, ele persegue uma verdade inconveniente sobre a vila inundada. Assim, acabou invadindo o mundo de Eva, a sacerdotisa de uma tradição que o tempo expurgou das suas memórias.

Este romance trata de um mito surgido no seio da humanidade. Algo que prosperou na consciência de um povo recluso. Um segredo que irá recair sobre Ian, Laura e Egon como uma herança funesta. Espólios soturnos que podem convergir e romper com a realidade aceita. São reminiscências sombrias do puro éter.

Santuário é um romance de horror literário que traz elementos de misticismo e referências à “Mitologia dos Antigos”, de H.P. Lovecraft. Seus personagens possuem uma vida pulsante, tomados por paixões, medos e fantasmas. Sugerindo perguntas sobre a intensidade de antigas crenças e o limite entre sonho e realidade, o livro é uma alegoria ao imaginário humano. 




Sobre o autor:

Andrio Mandrake é um autor gaúcho, natural de Cruz Alta, ainda em início de carreira. Antigamente escrevia sobre cavaleiros e dragões, mas foi absorvido pela escuridão que devora o mundo. Conheceu King num pesadelo e Cthulhu numa noite de tempestade. Aficionado por Rice e café, aprecia vinho com sua musa ruiva e sente falta do violoncelo que nunca tocou. Tem por hábito escrever à noite, enquanto sua gata, Luci, costuma fitar o corvo na sua janela.

Título do Livro: Santuário
Autor: Andrio Mandrake
Página: 238
Ano: 2013
Editora: Independente 

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman


Uma das características que eu mais gosto nos livros do Neil Gaiman é sempre te entregar a fantasia de uma forma natural e progressiva. Em O oceano no fim do caminho também é assim. 

No prólogo somos apresentando a um homem de meia-idade, narrando o dia do funeral de alguém da família. Sem saber direito o motivo de estar fazendo isso, ele acaba indo parar em uma velha fazenda vizinha a sua casa de infância, onde tinha uma amiga. Lá, nas margens de um lago, ele volta a se lembrar de eventos da sua infância. Essas lembranças formam a parte principal da trama. 

Quando era uma criança, um homem roubou o carro de sua família se matou nele, no fim da estrada da fazenda. Esse evento acabou perturbando forças estranhas e elas precisam ser controladas. Littie Hempstock, uma garotas que parece ter muito mais que onze anos, jura protegê-lo, mas nem tudo sai como planejado. 

O livro é narrado em primeira pessoa, mas achei curioso que o nome desse personagem só é citado bem mais pro final do livro, tão repentinamente como se já soubéssemos e não fosse uma informação relevante. 

Achei todos os personagens do livro deixam sua marca, seja por empatia ou antipatia. As três mulheres Hempstock, a avô, a filha e a neta, são o destaque do livro. Envolta em seus mistérios elas transmitem uma grande segurança e sabedora e são elas as estrelas da trama. 

O livro pode também promover um pouco de reflexão sobre nós mesmos,as consequências de eventos da infância na vida adulta, nossos medos, e os perigos de se estar vivo. 

Já no epílogo, voltamos para às margens do lago. As lembranças terminaram e o personagem-narrador precisa voltar ao funeral. É ai que entendemos as marcas que esses eventos da infância deixaram no personagem. 

Como sempre, Gaiman não decepciona. É uma trama enxuta e limpa. Não é um épico e não tenta ser um épico, mas são justamente esse tipo de livros que eu tenho mais apreciado ultimamente. E Gaiman faz isso sempre com muito talento.

Título: O oceano no fim do caminho
Título original: The Ocean at the End oh the Lane, 2013
Autor: Neil Gaiman
Ano: 2013 
Páginas: 208
Editora: Intrínseca 
Tradução: Renata Pettengill